quarta-feira, 31 de março de 2010

Corrupção - é tudo ou nada!

Recebi esse e-mail hoje. Leiam com atenção. Podemos sim fazer alguma coisa.
Obrigada
Izabel
Chegou a hora: dia 7 de abril será a votação do Projeto de Lei Ficha Limpa. Nossos deputados têm uma escolha -- votar a favor da lei e remover criminosos da política, ou ficar do lado dos corruptos ao custo de toda a nação.

Não será uma vitória fácil, forças corruptas estão resistindo bravamente – somente uma mobilização massiva poderá vencê-los. Esta é a reta final para pressionar nossos deputados a votarem a favor da política limpa no Brasil -- assine a petição no link abaixo, ela será entregue diretamente ao Congresso:

http://www.avaaz.org/po/brasil_ficha_limpa/?vl

Se a Ficha Limpa passar, candidatos que cometeram crimes sérios como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e assassinato, serão removidos das eleições de outubro. Este pode ser um enorme passo para livrar o Brasil de uma classe política corrupta.

Através de muita pressão popular do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e da Avaaz, nós ajudamos a introduzir esta lei e aprová-la para votação. Porém se ela passar, vários partidos políticos irão ver seus candidatos desqualificados das eleições de outubro, portanto muitos vão tentar barrá-la no Congresso. Nós não podemos perder esta oportunidade histórica – vamos mobilizar milhares de brasileiros nesta reta final -- assine a petição abaixo:

http://www.avaaz.org/po/brasil_ficha_limpa/?vl

Em um movimento histórico, mais de 1.6 milhões de brasileiros já levantaram as suas vozes contra a corrupção na política. Nós não podemos perder agora -- cada nome conta – encaminhe este alerta para todos que você conhece!

Com esperança,

Alice, Graziela, Paula, Paul, Ricken, Pascal, Benjamin, Ben e toda a equipe Avaaz

Saiba mais sobre a Ficha Limpa:

Site do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral:
http://www.mcce.org.br/

Projeto Ficha Limpa deve ser votado pela Câmara dia 7 de abril:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/03/23/politica,i=181531/PROJETO+FICHA+LIMPA+DEVE+SER+VOTADO+PELA+CAMARA+DIA+7+DE+ABRIL.shtml

Movimento online renue 200 mil brasileiros em torno de campanhas como "Ficha Limpa":
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2010/03/09/movimento+online+reune+200+mil+brasileiros+em+torno+de+campanhas+como+ficha+limpa+9421354.html

Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral consegue assinaturas necessárias para levar Projeto Ficha limpa ao Congresso:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/09/17/politica,i=142687/MOVIMENTO+DE+COMBATE+A+CORRUPCAO+ELEITORAL+CONSEGUE+ASSINATURAS+NECESSARIAS+PARA+LEVAR+PROJETO+FICHA+LIMPA+AO+CONGRESSO.shtml






A Avaaz é uma rede de campanhas globais de 3,9 milhões de pessoas
que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas internacionais. ("Avaaz" significa "voz" e "canção" em várias línguas). Membros da Avaaz vivem em todos os países do planeta e a nossa equipe está espalhada em 13 países de 4 continentes, operando em 14 línguas. Saiba mais sobre as nossas campanhas aqui, nos siga no Facebook ou Twitter.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Uma personagem fundamental e um local fundamental

Hoje foi um dia definitivamente emocionante. Eu e kelly fomos mais uma vez para a Região de Santo Amaro para mais um entrevistada. Uma mulher de 50 e poucos anos, pequena de cabelos bem negros e sotaque maranhense carregado. Irmã Lenir estava um pouco diferente daquela foto que tínhamos visto dela há 16 anos atrás, mas sua voz e seu entusiasmos deixavam claro que aquela era a mesma irmã que todas as outras pessoas que entrevistamos disseram ser indispensável para compreender o trabalho social da Rede Rua.

E eles estavam certos.

Doce e carinhosa fez até uma lista com os fatos que gostaria de nos falar sobre sua trajetória. Ela que começou com a sopa no viaduto do Glicério e ficava impressionada com a juventude engajada em um Alderon 27 anos mais jovem com a situação de rua que permitia ainda o convívio em sociedade baseado nos trabalhos da Comunidade dos Sofredores da Rua, da OAF (Organização do Auxílio Fraterno).

Lenir contou para nós a emoção de se doar aos outros, disse como se sentia ao cortar os cabelos e fazer curativos em homens que pareciam outras pessoas depois de alguns momentos de atenção. Chorou e emocionou a nós também ao dizer que o momento mais feliz que teve nos anos de Rede Rua foi na ocasião de seus votos perpétuos, onde todo o povo da rua celebrava com ela.

Ela também nos contou que depois de mais de 20 anos de dedicação, deixou o trabalho na rua e foi se dedicar ao seu povo do Maranhão, mas infelizmente suas empreitadas naquele estado não se desenvolveu tanto como todo seu trabalho em São Paulo. Lenir diz que toda vez que se deita consegue ouvir as vozes das pessoas lhe agradecendo e consegue lembrar-se da fisionomia de cada um.

Claro que nos contou muito mais coisas, mas aí vocês podem conferir quando lançarmos o livro de 20 anos da Rede Rua.

***

Semana passada fomos de surpresa na igreja Bom Jesus do Brás visitar suas torres, a primeira 'sede' da Rede Rua enquanto ela ainda era o Centro De Comunicação e Documentação dos Marginalizados. Além de sentirmos uma certa emoção em tentar imaginar como aqueles jovens trabalhavam num espaço tão diferente, e ao mesmo tempo tão perfeito e único para um projeto que nasceu no seio da igreja cristão.

A torre tem uns quatro andares, o CDCM usava três. Um para reuniões, um para guardar coisas e onde ficava a ilha de edição e um terceiro, quase um mesanino, onde guardavam outras coisas. Escadas não faltam, mas é um espaço amplo, com uma vista incrível da cidade. Mas por motivo de segurança todas as portas ficam trancadas e em alguns lugares são passados cadeados.

O atual pároco, Padre Enivaldo, chegou na igreja quando o grupo estava pra sair. Ainda assim acompanhou algumas reuniões da Fraternidade Povo da Rua em reuniões para o projeto AIDS na Rua e Da Rua Para A Terra. inclusive a torre abrigou as ferramentas nos sem terras nos congressos que aconteceram na cidade.

Após a visita o padre, que também tem afinidade com a área de comunicação pediu se não podia nos entrevistar para seu programa que era transmitido via internet o Para o Mundo Ficar Belo, da TV Agir. Apesar de achar a inversão engraçada, afinal, as entrevistadoras até aquele momentos éramos eu e kelly. Passamos a entrevistadas e gostamos da experiência de falar sobre a Rede Rua, sobre o curso e a profissão de jornalista e claro, sobre nosso futuro livro. Fiquem de olho: www.tvagir.com.br .

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sorriso: da rua para o expediente do jornal


Ele chegou bem atrasado para entrevista. Com aquele ar "despojado" mas com um pouco de "sempre ocupado". Seu rosto lhe apresentava o apelido e quando a recepcionista da Rede Rua o viu foi assim:

- Oi Luciney, como vai?
- Luciney? Se liga menina!

E abriu um Sorriso, afinal é assim que é conhecido desde que saiu do Mato Grosso. Sua história é cheia de altos e baixos. Segundo Cleisa, a atual revisora do Trecheiro, Sorriso é um dos "mascotes" da Rede Rua, chegou por volta dos 20 anos e já cativou a todos. Trabalhava numa usina de beneficiamento de latex, mas com a era Collor as condições de trabalho começaram a piorar e Sorriso foi buscar uma nova alternativa no Mato Grosso do Sul. Nada ali também, foi para Londrina com o útimo dinheiro que tinha. Passou noites vagando pela rodoviária, sem conseguir dormir, "Porque você fica acordado, aéreo, sem entender como está naquela situação, pensando numa saída", explica. Foi nessa rodoviária que conheceu dois companheiros de rua que o incentivaram a vir para São Paulo "tentar a sorte". Os dois jovens eram mais experientes, sabiam onde conseguir comida, passar a noite e fazer bico. Foi ganhando troquinhos que juntaram dinheiro para as passagens de ônibus para Assis, no interior de São Paulo. Nessa cidade ficaram num albergue, ajudando na horta. Nesse albergue ganharam passagens de trem para a capital. E o trem de Assis passa pelo Brás, em direção à Estação da Luz. Sem dinheiro, aos 19 anos e sem ter para onde ir, mesmo na promissora capital, ficou dormindo na rua.

Sorriso teve contato com a Rede Rua por meio da Casa de Convivência do Brás que estava sob coordenação da Fraternidade Povo da Rua. Ele usava os serviços dalí para comer, passar o dia, lavar a roupa. A noite voltava pra rua. Por ser um rosto sempre presente foi pegando a confiança das pessoas e passou a trabalhar nessa casa. Logo conheceu o Alderon que pediu para ele pintar um armário. Depois desse dia Sorriso passou a trabalhar com a Rede Rua de Comunicação, que ainda funcionava na Torre da Igreja Bom Jesus do Brás. Fazia alguns serviços de office boy, aprendeu a revelar fotos antes mesmo de saber fotografar. "Acho que olharam pra mim e pensaram 'Esse deve ser alguma coisa, esse deve prestar'", conta Sorriso. Procurou sempre aprender e tentar melhorar de vida. Logo saiu da Casa de Convivência e foi morrar num apartamento junto a outros missionários e seminaristas que ajudavam na ONG. Em 1995 casou-se e quando o apartamento precisou ser entregue mudou-se para outra casa, alí na região do Brás onde vive até hoje.

Após 13 anos trabalhando direto com o povo da rua, chegou o momento de sair. Como a Rede Rua já fornecia material fotográfico para o jornal da Arquidiocese de São Paulo, e com um fotográfo a menos (Alderon também fazia fotos, além de ser editor do jornal) Sorriso assumiu diretamente a vaga que surgia nO São Paulo.

Sorriso ainda trás marcas da rua, como o hábito de andar muito. Ele diz que conhece todos os parques e está acostumado a voltar a pé da redação do jornal, em Higienópolis, até sua casa, no Brás. O fotógrafo diz que por ter passado por uma situação de rua tem um outro olhar na hora de fazer suas fotos, respeita o mínimo de privacidade da pessoa e tenta sempre conversar antes de sair tirando suas fotos. "E ai a gente vai com todo cuidado, sempre pede, lógico que na medida do possível nem sempre dá também, porque às vezes você quer roubar aquela imagem e se pedir perde o momento. E até porque a minha linha de fotojornalismo eu não consigo montar nada, é tudo natural...Você pode fazer a foto e depois conversar para conhecer e saber, mas com muito carinho e cuidado para respeitar. Eu faço as imagens para mostrar, denunciar, não faço imagem para ficar rico, ou para fazer uma viagem mental, como os artistas gostam de fazer. Não! A gente faz imagem que é pra ajudar, pra mostrar 'Oh, taí gente...assassinaram, mataram...tai'; Não é pra virar artista não", explica o fotografo.

Para ele, a diferença da Rede Rua para outras organizações é seu caráter humano: "A humanização nos trabalhos da Rede é muito grande, o modo como eles se preocupam com os funcionários. Acho legal essa preocupação de sempre formar seus funcionários. Esse é um diferencial dela, é a organização que conheço mais, eu fiquei por muito tempo e me sinto dentro até hoje", diz.



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Progressos...

Há uma semana eu e Kelly conhecemos uma pessoa que todos da Rede Rua diziam ser fun-da-men-tal para nosso livro: Padre Arlindo. Antes de ontem tivermos a sorte de conseguir um espaço em sua agenda para entrevistá-lo. Há três anos como um dos conselheiros de sua congregação (Padres do Verbo Divino) ele teve de ir viver em Roma e montou alí sua filial da ONG que ajudou a fundar.

No sábado foi organizada uma festa surpresa de boas vindas. Mais de 50 pessoas, entre amigos, pessoas da Rede Rua, afilhados, e batizados por ele estavam lá para receber Arlindo de volta, mesmo que por poucos dias. Nosso amigo Fabiano Viana (estudou conosco na Metodista e foi funcionário da Rede por um tempo) organizou uma dança circular pela paz e fez todos se apresentarem.

Reencontramos algumas pessoas que ja conheciámos, como o Cloves (colaborador do Trecheiro), o Sorriso (ex morador de rua, foi fotográfo do Trecheiro e hoje está no Jornal O São Paulo, Alderon (coordenador da Rede de Comunicação), Irmã Geni (Presidente da Rede), Doris (coordenadora Da Pousada), Ceninha (do Núcleo Santo Dias) Argemiro (responsável pelos vídeos), Berhnard (voluntário austríaco) e Ana Rosa (ex funcionária), Padre Gunter (da Pastoral Carcerária) e conhecemos outras: Cleisa (atual revisora do Trecheiro), Leontina (uma das chefes na sub prefeitura Sé na ocasião da fundação da Rede e hoje amiga de todos lá), Luiza (membro da diretoria) e Irmã Alberta (da Pastoral da Terra). Fora mais um monte de gente que não conhecíamos e ficamos sem conhecer, claro.

Tem acontecido muito nesse trabalho o fato de cada vez que entrevistamos alguém sugerem mais três ou quatro para entrevistarmos, de modo que as entrevistas não acabam nunca! Outra coisa, não sei se por sorte ou azar mas as entrevistas são muito longas! Na maioria das vezes a vida das pessoas se confunde (e completa) com a da Rede, então é preciso contar tudo para fazer sentido. Ao mesmo tempo que isso é super construtivo, é super trabalhoso transcrever e organizar.

Por isso nós tivemos a ideia de montar uma linha do tempo. Eu usei dois banners antigos que eu tinha em casa e fiz 10 espaços em cada um, e cada um corresponde a um ano. Com base nos dados levantados nos jornais lidos e nas entrevistas vamos completando. Só assim para ficarmos mais tranquilas quanto a quantidade de material (ainda acho que falta tanta coisa!). Outra coisa importante que já definimos foi a divisão de capítulos, posso assegurar que foi uma ideia muito boa, mas vou deixar em segredo para termos alguma surpresa, né?

Próximo post: quem é Sorriso?

Alderon com o presente do Arlindo, uma camiseta do Trecheiro

Arlindo com seu outro "presente" uma garrafa de coca-cola, ele detesta


Fabiano tentando nos explicar a dança da paz

Irmã Geni saudando a todos

terça-feira, 8 de setembro de 2009

15º Grito dos Excluídos - A Força da Transformação está na Organização Popular

São Paulo, Brás, 8h, sol e muito calor.

A equipe da Rede Rua se prepara para fazer a cobertura do 15º Grito dos Excluídos. Enquanto uma equipe saiu bem mais cedo rumo a Aparecida do Norte, onde se concentram a maior parte das manifestações, Alderon, coordenador, Adriano, recém chegado à Rede e Ana Rosa, formada em RTV, se preparam para fazer a cobertura em São Paulo.

A manifestação partirá da Praça da Sé. Enquanto acontece a missa na Catedral a equipe aproveita para gravar entrevistas com representantes de organizações e movimentos. Um sem número de bandeiras, camisetas, faixas e cores tomam o Marco Zero, perto das dez horas o trio elétrico liga seus autofalantes.

A presença ilustre desse ano é o filho do metalúrgico Santo Dias da Silva, morto há 30 anos. Santinho, como o filho é conhecido, fala da memória do pai e da importância da resistência. Falaram nesse momento também: representantes do Conlutas, Pastoral Operária, Pastoral da Juventude, MST, UNEAFRO, Movimento da População de Rua e outras entidades.

Começa a caminhada de quase duas horas até o Parque da Independência. Ana faz imagens de tudo que é possível. Desde os grupos que batucam no chão os ritmos cantados de cima do trio, até os membros da Irmandade do Servo Sofredor que enfrentaram 5 dias de caminhada para chegar até ali.

De cima do trio elétrico podemos ver como o tempo está bom, sol bem forte e vento deixam as bandeiras mais bonitas. Um morador de rua envolto na bandeira do Brasil e com uma placa “Justiça para todos” rouba a cena, é fotografado por muitas pessoas desde a Praça da Sé. Seguido por fotógrafos faz pose ao lado de cada amontoado de lixo, denunciando.

Na caminhada encontramos pessoas da Bolívia ligadas aos sem-terra, encontramos jovens do Haiti que pedem para que o governo do Brasil retire as tropas de seu país. Encontramos militantes contra o racismo que trazem a tona a história de Januário, um pai de família que há algumas semanas foi acredito por seguranças de um supermercado e por policias que acharam que ele tinha roubado um carro, que na verdade era dele.

Músicas e homenagens seguem até as portas do Parque. O povo se concentra ao lado do monumento e com mais dizeres de luta e esperança mais um Grito termina. Ainda dá tempo da Rede Rua fazer algumas entrevistas com representantes indígenas e trocar alguns contatos. Hora de voltar pra casa e ver como ficou o resultado.






quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça!

Praticamente com o espírito de Glauber Rocha é como venho me organizando para realizar as atividades e a programação do TCC. O meu também "espírito de organização" vem sendo uma tarefa árdua, para quem trabalha na comunicação da Prefeitura de uma cidade do Abc paulista, filha única, e responsável pelas atividades da casa além das preocupações de família. A minha sorte é que também compartilho deste espírito com a minha parceira de TCC, a Bel, que não é filha única, não tem compromisso com os afazeres da casa, mas que é igual ou mais organizada que eu.
Este espírito faz com que nos movemos para tentar não deixar tudo para última hora, assim sigo para o relato de hoje, no qual sempre aproveito as oportunidades para também tirar fotografias de pessoas em situação de rua, que se encontram na cidade de São Paulo.
Na companhia do meu namorado, seguimos rumo ao viaduto "Minhocão", localizado na Barra Funda. Beirava às 20h, desta vez quis fazer diferente, não conversei primeiro, tampouco ofereci algo para conseguir a foto, preferi de longe tirar uma fotografia que registrasse uma cena aparentemente comum, onde o emaranhado de pessoas em situação de rua aglomeradas num dia de frio em São Paulo, não pudesse ser percebida por quem passasse, tampouco pelo alvo.
Do outro lado da rua, disfarçadamente a câmera estava posicionada, o fio de luz vermelha saída pela máquina que estava sem flash e pronto, um estrago para quem estava a procura da fotografia perfeita. O que não podia acontecer aconteceu. Eles me viram. Ficaram bravos e correram, todos em minha direção.
A principio pânico. É engraçado como Deus sempre aparece nessas horas, Ai Meu Deus, eles estão vindo, gritei sem me importar com a voz que saia alto. Corri. A entrada da padaria que estava ao lado nunca ficou tão distante. Entrei, sentei enquanto meu namorado os aguardava com o segurança da padaria.
Um chiado. Várias reclamações para o segurança e para o meu namorado que insistia em apaziguar a situação. Enquanto isso, lá dentro, minhas mãos tremiam, eu estava pálida e todos olhavam para a minha cara. Lá fora, o grupo insistia em saber pra que eram as fotos, mesmo sabendo para o que se tratavam, eles insistiam, assim percebemos que todos estavam drogados, e alcoolizados, incluindo dois garotos de aproximadamente 10 e 12 anos. Após algum tempo, meu namorado me encontrou na padaria, comentou os questionamentos dos moradores, insistimos em esperar mais um pouco antes de irmos embora. Lá fora, meninos e moradores de rua nos esperavam de tocaia. O jeito para não perder a foto e nem a câmera, foi chamar um táxi e encurtar o caminho até em casa.

(Kelly Santos)

domingo, 30 de agosto de 2009

Pousada da Esperança em Santo Amaro

Ontem conheci dois lugares importantes para REDE RUA. Primeiro a Pousada da Esperança, um albergue (na linguagem informal) ou casa de acolhida ( como consta no convênio com a prefeitura). Depois o Núcleo Santo Dias, onde pessoas da Pousada, ou de outros albergues são encaminhadas quando estão num estágio mais próximo da autonomia.
Fui junto com o coordenador da Rede Rua de comunicação, Alderon, que no caminho até Santo Amaro foi me contando mais algumas partes dessa história.Alderon teve contato com o povo da rua “por acaso”, ou podemos dizer que “por vocação”. Um dia ele entrou na Livraria Paulinas no Centro de São Paulo e encontrou o livro “Somos um povo que quer viver”. Comprou e leu o livro que contava a história de uma grupo de Irmãs que ajudava a fazer uma grande sopa debaixo do Viaduto do Glicério com sobras de uma feira. Nessa sopa, haviam alguns voluntários, e o próprio povo da rua ajudava a juntar ingredientes. Depois de pronta todos sentavam na roda e a tomavam nas “cascudinhas” que eram latas de leite ninho.

Alderon tinha 19 anos e achou uma experiência boa e foi procurar esse grupo para lá ser voluntário, onde ficou por 8 anos. Depois ele saiu, passou um ano em Brasília e depois voltou para trabalhar na USP durante 2 anos. Nessa época ele conheceu o Padre Arlindo e ambos começaram a discutir como articular um projeto para a rua com a comunicação.


Mas seu eu for contar toda a história agora irei resumir nosso futuro livro num post.


Nossa primeira parada foi na Pousada da Esperança, que fica na frente de um cemitério e no lugar de uma industria química desativada. A pousada tem capacidade para 150 usuários “fixos” e 30 pernoites, ou emergenciais. É servido um jantar e um café da manhã. Depois da 8 mais nenhum convivente. A Pousada possui uma biblioteca onde duas bibliotecárias voluntárias estão organizando e catalogando os livros doados. Os convivente ainda não tem acesso às obras pois alguns estavam roubando os livros para vender em sebos. Há uma lavanderia, uma cozinha ampla onde todos trabalham de touca, luva e máscara, uma sala de reuniões onde o grupos dos Alcoólicos Anônimos vem conversar e uma cooperativa de coleta seletiva onde alguns dos convivente podem trabalhar.


Eu entrevistei a Coordenadora da pousada, Dóris, e conheci as assistentes sociais, Sônia e Nazaré.


Aqui algumas fotinhos, amanhã mais detalhes sobre o Núcleo Santo Dias.